4 de janeiro de 2013

ritual de passagem.

Acabou o ano. Acabou o sofrimento. Acabou a indignação. Acabou a tortura. Mas não é que começa tudo de novo? Um fato curioso sobre a vida: ela é um ciclo, uma repetição. Você tende a fazer coisas que fazia, tende a voltar a lugares que ia, a falar com pessoas que falava, a se apegar ao velho e confortável, porque, justamente, ''é difícil desfazer-se de um velho hábito''. E foda-se essa porra. Comodismo é a estrada do irracionalismo. Você deita no sofá e esquece de levantar. Você come e deita. Você vê tevê o dia todo. Você está confortável? É claro que está, mas e o tempo? ELE PASSA.........
E ainda existem aqueles que digam que a vida é uma aventura. Porra nenhuma. A vida é tempo, limita-se a isso e é só isso. Na teoria, é bem simples. É a prática que complica. Estudar? Ridículo. Vestibular? Humilhante. Trabalhar? Estúpido. Ser alguém? Pior ainda. O capitalismo, no ápice, é legal e descolado. Dá tendências legais, produz tecnologias legais, dá sentindo ao mundo e a sociedade. Mas corrompe, polui,  destrói, manipula e aniquila. Você não é alguém quando passa no vestibular, ou quando se forma com méritos em alguma faculdade pública. Você é alguém quando nasce, independente do que você queira ser. A ilusão de individualismo só é atacada principalmente porque ela é uma ilusão. Somos todos iguais. O sistema nos fez assim.
Acabou o ano. Acabou o sofrimento. Acabou a indignação. Acabou a tortura. Mas não é que começa tudo de novo? A vida é um ciclo e este ciclo, é bem determinado. Você nasce, estuda, produz, consome, consome, consome, consome, produz um pouco mais, consome, trabalha, trabalha, trabalha, e morre. Ninguém vive, mais. Não vou ser romântica e dizer: ESTAMOS TODOS ERRADOS! Estamos, e daí? Continuamos satisfeitos, não é mesmo? A sensação de dever cumprido acaba sendo mais satisfatória que o nosso ciclo biológico, por assim dizer. Eu acho mesmo é interessante essa evolução constante. Me faz pensar que não sou tão humana assim.  E foda-se tentar entender o que somos, porque somos muito mais do que há para entender.
Venho aqui, hoje, numa madrugada dolorida, escrever expectativas e pensamentos. Sem precisão... eu preciso dizer, que não esperava ser essa pessoa de hoje. A mesma pessoa que está sentada em frente a este computador, teclando furiosamente, não é a mesma pessoa de ontem. Ou de anteontem. Ou do ano passado. E não sei se vou ser a mesma pessoa amanhã. Eu acho mesmo é interessante essa evolução constante. Ser e não saber deve ser adorável. Eu mal posso esperar para que o tempo flua  louco, e me leve junto. Vou esperar o período justo para planejar minhas descobertas e desejos. Vou me comportar, também. Vou obedecer, e no final, serei recompensada. Vou agir conforme o esperado. Afinal, ainda é 4 de janeiro, e eu tenho o ano inteiro, pra mudar o meu ciclo verdadeiro.

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