3 de novembro de 2012

Paródia nominal; dois tons sobre mim e Jobim. Duas Luizas.

''Nua
Na rua escura
Respira no céu a imensa e
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te conhecer Luiza
Eu sou apenas um pobre destruidor
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda Luiza
Que eu sei que embaixo deste gelo mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O seu desejo não é mais que o meu desejo
Vem, me cicatriza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um brilho de sol
Nos teus cabelos
Como um diamante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza''


Eis que paira: quem é Luiza? De onde vem todo esse amor? Essa crença no impossível? A inquietude? A dança frenética? O ritmo errático e catastrófico, e tão, tão juvenil? Cadê o riso lento, torto, que vem sem precedentes, verdadeiramente? Cadê a expressividade, a relatividade, a impulsividade? Mostra pra mim, Luiza, a verdadeira cor do teu olho. Como pode uma menina ser tão angular? E odiar tanto a matemática? Como pode uma menina ser tão singular? E rejeitar tanto as coisas práticas? Garota-veneno, garota-remédio. Luiza é mais do que há para ser visto, Luiza é intemperismo físico e mental. Luiza é dor e rejeição. Luiza é um carnaval de emoção. Luiza é quietude doente, é falação irreverente. Luiza é Luiza. Luiza é frio, é calor. Luiza é tempo e dinheiro. Preto e branco. Luiza sofre, ama, bebe, beija, sente, chora, respira, inspira, corre, dorme, come, respira, inspira, chora e ama. Luiza é gente da mais diversa e comum. Luiza é paradoxo universal para quem chega na esquina. Luiza morre e vive todos os dias. Luiza é luta, é luz. Luiza é Luiza. Luiza é cor dourada no branco, explicação de idéias, arco-íris de brancos; Luiza é uma festa e tanto. Pensa, ri , chora e se dobra: Luiza ainda não sabe o que quer, só sabe que tem a ver com felicidade. Luiza não deixa o tempo passar. Luiza é a moça da música, adaptada ou não, Luiza é um nome grande e forte, imaculado pela luminosidade de ser quem é. Luiza rejeita a pureza, e ainda assim mantém tantos segredos... Luiza tapa o sol com a peneira, ri e chora do leite derramado, cata cacos do coração partido. Luiza sorri quando se olha no espelho. Como se tentasse confirmar o que é. Luiza acha que já amou, mas não tem certeza. Mas quer ter. E quer amar também, caso ainda nao tenha. Ou caso tenha, também.  Irresponsabilidade,, irritabilidade, implicância, chatisse, impulsividade, espontaneidade, afetividade, EXPLOSVIDADE: teu nome é Luiza.  E Luiza, hoje, sou eu.

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