Hoje tornei a olhar pela janela,
permiti-me finalmente espiar o alheio.
''Como vão as coisas lá fora?'', perguntava-me, durante a hibernação.
O mundo girava e girava, e eu permanecia à deriva.
Num continente prefixo, distante e longínquo: meu próprio universo.
Hoje voltei a reparar nos rostos dos outros,
permiti-me finalmente evoluir.
''Será que vai doer?'', perguntava-me, a cada olhar.
O mundo girava e girava, e eu continuava com medo do futuro.
Num quarto escuro, debaixo dos cobertores, límpido e acolhedor: meu próprio universo.
Hoje comecei a construir uma ponte,
permiti-me finalmente aceitar a jornada.
''Vou conseguir?'', perguntava-me, a todo instante.
O mundo girava e girava, e eu me mantinha a esquerda na faixa dos que trafegam sem pressa.
Num campo claro, ameno e suave: meu universo.
14 de outubro de 2012
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