1 de junho de 2012

O menino do rosto verde.

E lá estava, como em todas as manhãs, aquele rapaz. Digo aquele por que não era qualquer um; era único.  E não seria outro, mesmo se não fosse aquele.
E trazia um ar clássico, de outrora, uma paixonite aguda, doída, estranha; complexa. Sem amor, só curiosidade. De quem é o ser a frente, de como ele é, porque ele é. Não sente isso?
E andava torto, com medo do mundo, mas via-se ali um medo fosco, que brilhava, e brilhava, no escuro. Sem pressão. Só timidez e nada.
E tinha braços quentes, um coração inflado e gostoso de sentir. Um aperto desencaixado, um abraço desajeitado. Veio de você, foi puro. Gostei.
E o rosto verde - digo o rosto, não os olhos, porque o conjunto trouxe um mistério a mais - mostrava-me onde doía. Tudo. Por não fazer parte. Do todo, todas as vezes. Por não ser um inteiro, e sim sempre uma metade.
E lhe digo, menino, moço, rapaz: Eu estou aqui. Com as mesmas dores, preocupações e instabilidades. Porque não me dá a mão?
E seríamos, felizes.....

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