Outro dia me peguei pensando em como seria voar. Quem é que não gostaria de saber? Mas daí esqueci que posso sim, voar. Voo em minha mente, em meu espaço, em meu mundo próprio. Um gole, um trago. E te levam. E levam você. Levam quem você é. Levam tudo. Lá pro espaço. Um voo diferente; imprudente. Moralismo? Ficou na esquina, esperando um encontro que não existe mais.
Outro dia me peguei pensando em fugir. E depois lembrei que já fugi. Quando batia a porta com mais força, ou apagava imagens escrotas da memória. Quando reprimia um grito; um choro; uma palavra. E fugir pra onde? Caminhar pelo sol ou pela sombra? Certo, ou errado? Me diz, eu tenho ou não essas respostas dentro de mim?! E ainda assim, quero léguas, quilômetros. Distância. De tudo que me remete ao inescrupuloso.
Talvez acabe ficando sem dias! São tantas coisas a pensar, dizer, fazer. Como dar conta? ''Eu sou criança e não aprendi a amar'', como já dizia a poeta. É difícil perceber certas coisas, é preciso tato e paciência, e o que fazer quando não tenho nenhum dos dois?! Não há argumento final. Há, entretanto, uma descoberta final.
É estranho ser adolescente. Mal posso suportar o passar das horas. E me pergunto se é só comigo. Dia vai, dia vem, vejo dilemas, dores, pudores, crimes, tão meus, tão nossos. Tão adolescentes! Seja uma latinha de cerveja roubada da geladeira, seja uma nota vermelha, uma paixonite impossível, uma dor maior que o mundo, que sempre passa; seja uma tragada em algo ''indevido'', um beijo roubado, um amasso bem dado, um choro enforcado, um amor mal-tratado; seja o troco de bala, o celular com mil utilidades, as mil maneiras de colar, um abraço quente, um confidente, as festas, os vômitos; somos todos iguais. Por dentro. Queremos as mesmas coisas (ser feliz com dinheiro no bolso e amor no coração). Mas de fato, não importa o caminho a seguir.
O que realmente importa,
É o adulto que a adolescência fez de você.
22 de maio de 2012
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